CONSEGUINDO A COMPOSIÇÃO PERFEITA

Um dos primeiros desafios a que os aspirantes a fotógrafos são confrontados é conseguir capturar uma espécie de beleza única nas suas fotografias.

Regra dos Terços - Mina de S. Domingos - Mértola

Mas eu não estou a falar da beleza intrínseca: uma flor, um cãozinho fofinho, uma modelo profissional ou uma paisagem de outono são bonitas por si mesmas, estou a falar de como certos elementos dentro da fotografia que, parecendo que não, estão posicionados de forma ordenada a criar um equilíbrio que vai fazer no final, absoluta diferença entre a beleza que estamos a ver no momento, e a que a maioria das pessoas irá mostrar, um momento banal do tipo “snapshot”.


Por isso um olho treinado irá sempre conseguir reunir, ou ver, esses elementos mais rapidamente do que um leigo na matéria. Estou a falar obviamente da composição fotográfica, mas o que é propriamente isso e como se pode “ver” isso na realidade de forma a poder aplicá-la nas nossas fotografias. Para quem não gosta de história de arte, lamento desiludi-los, mas terão de começar a gostar ou no mínimo a observar os quadros com a atenção devida. Muita da percepção e construção da composição fotográfica deve-se ao facto de haver uma série de linhas imaginárias, ou formas geométricas, que percorrem de

forma harmoniosa a totalidade do quadro ou pintura, Rembrandt, o famoso pintor neerlandês, utilizou essa técnica extensivamente em retratos, paisagens e outras situações, como por exemplo em pinturas de grandes grupos de pessoas.


Se observarem a fotografia ao lado vão notar que está dividida em 9 partes, por duas linhas verticais e duas horizontais igualmente espaçadas entre si, que subsequentemente têm quatro pontos de cruzamento. Estes pontos são chamados pontos de interesse, que em termos de composição fotográfica vão ser os sítios que vocês irão colocar os elementos supostamente mais importantes da vossa leitura da cena que estão a fotografar. A regra dos terços como é vulgarmente conhecida foi descoberta e estudada pelos pintores clássicos nos seus quadros, mas, pode ser aplicada nos mais diversos meios: cinema, revistas, fotografia, entre outros, tudo o que implique composição, esta técnica estará lá mascarada entre as suas linhas imaginárias. Neste caso a ilha do lado esquerdo é o centro de atenção da fotografia, mas pode ser qualquer coisa, um grupo de pedras no chão, uma estrada, um reflexo, uma casa, uma montanha… desde que esses pontos de interesse sejam cruzados ou

que haja uma harmonia de uma forma geométrica, garanto-vos que a “beleza” nas vossas fotografias irá começar a ter mais “presença”.


Outra dica importante que quero partilhar com vocês é que na impossibilidade de esses elementos estarem no local, procurem-nos, por exemplo: acham a montanha com gelo

no topo bonita, procurem um rio nas redondezas para ajudar na composição, ou uma estrada ou um grupo de árvores, procurem essas linhas, adicionem, componham, sejam criativos e não preguiçosos. Mas sabem como são as regras, são feitas para serem quebradas, por isso, tenham sempre atenção, porque por vezes em certas situações, a leitura da cena pede para que sejam quebradas as regras, pensem antecipadamente, perguntem a vocês mesmos, como posso tornar esta fotografia mais interessante?


São os elementos cuidadosamente colocados ou alinhados por vocês na fotografia que proporcionam a unicidade do momento. A simplicidade é também outra das situações

a explorar, ao colocar demasiados elementos na fotografi a, não vão ter pontos de interesse identificáveis, tentem fazer com que o olhar do público percorra a fotografia nessa

simplicidade, senão vão ter os olhares perdidos e subsequentemente aborrecidos. Mas como a fotografia não vive só da composição, tenham em conta outros elementos importantes, como por exemplo a forma, cor, textura e repetição.


ESPAÇO ALFA - Artigo de Mauro Rodrigues publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul de setembro de 2012

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