EXPOSIÇÃO COMO FORMA DE ATIVISMO

Comummente associa-se o acto de expor um trabalho artístico ao mostrar o belo, de dar a conhecer o que é aprazível e estético. É o que o público espera de uma exposição seja qual for a arte em causa e na qual a fotografia não é exceção.

Ela até sofre mais com a indiferença do mundo atual, onde os mais de 3 mil milhões de imagens, e as cerca de 800 mil horas de vídeo partilhadas diariamente, tornam mais difícil captar alguma atenção e não ser meramente mais uma neste oceano imagético.

Para escapar a este paradoxo em que a imagem deixa de ter a sua função de captar a

atenção, de passar uma mensagem, a ALFA desenvolveu o conceito de LPI - Large Photo

Installations - no qual a partir de estruturas urbanas de design próprio, faz a exposição de fotografias de grande dimensão em locais de forte circulação de pessoas. Foi assim em Faro e depois em Estoi e Santa Bárbara de Neve, com a exposição “A Sul Profundo” que apresentou um conjunto de fotografias subaquáticas captadas no mar do Algarve e na Ria Formosa.

O conceito de ativismo fotográfico resulta da procura em alertar e consciencializar o público para toda a problemática das alterações climáticas, mas também do facto de os oceanos e os sistemas a ele afetos, como as zonas lagunares, serem possivelmente das zonas mais sensíveis e afetadas. Ainda nesta vertente de usar uma exposição fotográfica

como forma de ativismo, não ecológico e ambiental como anteriormente, mas social e

comunitário, decorre a mais recente exposição “Rostos da Insulina”, que retrata 11 rostos

de pessoas cuja atividade profissional ou o seu historial clínico as faz ter uma relação de

A exposição “Rostos da Insulina” está patente no Mar Shopping durante o mês de abril FOTO FABIANA SABOYA D.R.

proximidade com a insulina, uma hormona essencial às pessoas que padecem de Diabetes Mellitus. Esta exposição encerra o projeto “A insulina sai à rua”, organizado pela associação AEDMADA em parceria com o CHUA - Centro Hospitalar Universitário do Algarve, no sentido de comemorar o centenário da descoberta da insulina e desta forma transformar o tratamento desta doença crónica (a do tipo 1).

Os retratos foram captados por 5 associados da ALFA, reunindo um misto de fotógrafos a tempo inteiro e outros a tempo parcial, tendo por missão integrar esta exposição e com ela lembrar ao público o trabalho feito no Algarve na área da saúde e alertar para o impacto da Diabetes no dia a dia das pessoas, pois ao termos esta informação ficamos sensibilizados para o esforço que enquanto sociedade temos que desenvolver para o diagnóstico, monitorização e tratamento constante que a Diabetes exige.

Esta exposição estará patente no Mar Shopping durante todo o mês de abril e é feita em conjunto com a Urban Sketchers Algarve, que integraram, com a ALFA, o conjunto de parceiros ligados ao projeto da comemoração do centenário desta descoberta.


ESPAÇO ALFA - Artigo de Vico Ughetto publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul de abril de 2022


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