QUAL A DIMENSÃO SOCIAL DA FOTOGRAFIA?

Há quase dois séculos que a fotografia conquistou o seu lugar no mundo das artes pelas suas características únicas, quer da captação do real, quer pelas infinitas possibilidades de recriação dessa mesma realidade.

Igualmente, se reconhece o relevante papel que a mesma desempenha ao nível jornalístico, enquanto linguagem universal capaz de informar e de chegar mesmo a conduzir a alterações de acontecimentos sociais. Mas terá a fotografia outras dimensões sociais? Poderá a fotografia contribuir para o resgatar da auto-estima? Ou ser um veículo de reconhecimento e valorização pessoal e social?


O fotógrafo Paulo Côrte-Real, defensor desta dimensão da fotografia, tem desenvolvido um vasto trabalho nesta área. Refere que, muitas vezes, mais importante que a obra fotográfica, é todo o processo que conduz até à imagem final. Esta dimensão está presente no seu mais recente projeto fotográfico desenvolvido com cinco pescadores reformados residentes na Estrutura Residencial para Pessoas Idosas da Santa Casa da Misericórdia de Olhão, "HOMENS ENTRE A TERRA E O MAR", patente ao público até dia 30 de junho no Museu Municipal Compromisso Marítimo de Olhão. Através da interação entre o fotógrafo e os pescadores, onde o convívio, os diálogos e o revisitar de novo aqueles que sempre foram os ambientes do dia-a-dia, o voltar a sentir a brisa e o cheiro da maresia, o pisar do cais, que durante anos foi o seu lar, o olhar a lota e tomar nas mãos as redes e a agulha, o reencontro com velhos amigos, foram-se construindo as imagens fotográficas. O trabalho fotográfico foi complementado com a construção conjunta de pequenas notas biográficas. Estes cinco

homens foram sem dúvida os protagonistas deste projeto, com o qual os intervenientes ficaram certamente todos mais ricos. ESPAÇO ALFA - Artigo de Rui Oliveira publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul de junho de 2017

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