A IMORTALIDADE DA FOTOGRAFIA A PRETO E BRANCO

Desde o século XIX, uma das grandes ambições na fotografia era conseguir captar imagens coloridas, tal qual eram observadas. Para cumprir o objetivo, vários foram os estudos e experiências efetuadas, sendo que a primeira fotografia colorida foi captada em 1861, pelo físico James Clerk Maxwell.

Mas, apenas em 1935 surgiu o primeiro filme colorido “Kodachrome”, o qual, após melhoramentos, revolucionou o mercado e incentivou outras marcas a apostar nesta área,

permitindo a massificação da fotografia colorida, a partir da década de 1960. A massificação da fotografia colorida levou a que muitos fotógrafos e meios de comunicação vaticinassem o fim da fotografia a preto e branco. Várias foram as publicações mundiais que passaram apenas a utilizar registos coloridos, afastando os fotojornalistas do registo preto e branco, visto como algo fora da realidade. Porém, muitos fotógrafos não adotaram o “corte radical” com a fotografia a preto e branco, continuando a produzir trabalhos de autor, apreciados internacionalmente.


Ao longo dos últimos anos, o registo fotográfico preto e branco passou a ser visto como uma forma de expressão artística de grande impacto, capaz de transmitir as emoções que estão por detrás das imagens. Sendo este tipo de imagem uma abstração da realidade, o que faz dela algo magnífico é a capacidade que o fotógrafo tem de produzir um bom enquadramento, que possa contar uma história e despertar sentimentos, sem que seja necessário o recurso a texto, com uma boa utilização da escala de cinzas, jogando com o contraste da imagem. Hoje, já na era digital, a fotografia a preto e branco afirmou-se e é idolatrada, existindo no mercado várias soluções para tratamento digital que permitem

simular o “velhinho” efeito do grão-de-filme, imortalizando o uso desta técnica secular.

ESPAÇO ALFA - Artigo de Marco Pedro publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul de março de 2016

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