AFINAL COMO POSSO MELHORAR EM FOTOGRAFIA

Toda a gente tira fotografias, mas a realidade é que comparando com as fotografias profissionais que geralmente nos inspiram em galerias, nas revistas ou simplesmente navegando pela Internet, as nossas nunca chegam aos calcanhares dos grandes artistas. Afinal o que sabem os grandes fotógrafos que nós não sabemos.

Os carreiros do monte - Madeira

Além da dedicação e do equipamento (que não tem de ser necessariamente profissional), mas ajuda imenso em criar imagens com qualidade e fora do comum, as capacidades tecnológicas destes equipamentos fazem a diferença, existem uma série de dicas que os mestres fotógrafos antes de nós aperfeiçoaram e que nós hoje em dia, podemos seguir. Como por exemplo em qualquer arte é preciso praticar todos os dias, quanto mais se pratica, mais se aperfeiçoa… seja qual fôr o equipamento que estiver à mão, conhecer as diferenças entre os equipamentos é conhecer a indústria e fotografar com uma boa técnica de respiração e pose é essencial. Praticar todos os dias requere que se tenha a câmara sempre por perto, porque é simplesmente uma questão de oportunidade, quando ela estiver lá, a câmara estará também, o que pode significar imagens únicas no momento. Outra dica, como qualquer mecânico dirá em relação ao carro, é ler o manual e conhecer todas as opções e capacidades do equipamento, pode parecer aborrecido, mas é essencial, porque a fotografia tem uma relação muito dependente com o que a máquina consegue fazer e a ciência da luz.


Em relação à imagem propriamente dita, na sua construção, a perspetiva e os ângulos diferentes, são algo que constantemente o fotógrafo tem que pensar, ângulos verticais, mais apertados, perspetivas ao nível do chão, ou de uma janela ou até mesmo através de um objeto podem fazer a diferença de um local ou pessoa. Os modos de medição podem também fazer diferença no aspeto final da fotografia consoante a decisão de escolher um ou outro. Uma vez que a câmara pode medir a luz num ponto incidente ou avaliar a cena na sua totalidade. A seleção dos modos de exposição automáticos, semi-automáticos ou manuais são igualmente uma ferramenta importante para controlar o famoso triângulo de exposição (abertura, velocidade (duração) e sensibilidade ISO) e que irá permitir escolher o melhor modo para a situação adequada que vamos fotografar, tal como os modos de focagem, que permitem focar a situação que queremos de uma maneira específica, como por exemplo o de uma pessoa em movimento, que fixa o foco constantemente nesse sujeito. A arte da fotografia surge também estudando os artistas que nos inspiram e um objetivo que todos os fotógrafos devem seguir é copiar / imitar os seus mestres, conhecendo o mais possível todos os seus truques, para depois construir as suas próprias fotografias e ideias. Outro exemplo a seguir é conhecer livros de fotografia, sejam eles de artistas, formação ou fotografia em geral, existem muitas dicas e inspiração que se pode reter da leitura desses livros.

Barranco de Pisões - Monchique

Obviamente sermos autodidatas é importante para fomentar a procura e a persistência, mas todos nós chegamos a um limite e a ajuda da formação especializada com workshops, escolas e cursos online de vídeos de artistas consagrados vai cimentar e expandir o conhecimento geral da fotografia. O histograma é outro termo que o fotógrafo irá estar familiarizado e vai consultar constantemente, que é basicamente um gráfico assertivo que mostra os níveis de exposição. Fotografar em RAW é outra decisão muito importante, uma vez que este formato de ficheiro guarda muito mais informação sobre a exposição do que o normal JPG, informação extra que vai ser crucial ao trabalhar em pós-produção. Além das perspetivas e dos ângulos, outra dica é tomar atenção à composição dita meticulosa e elementos de simetria. A composição é a disposição dos elementos na foto, se estão a mais ou a menos, se fazem sentido ou não, e a simetria é algo inerente à nossa curiosidade, uma vez que achamos as coisas simétricas como não naturais ou fora do normal. Ao prestarmos atenção a estes elementos, o enquadramento, o que está mesmo no limite da moldura da foto é igualmente importante uma vez que estão inerentemente ligados à composição, ser observador é chave para melhorar o resultado final. Balançar tudo isto dá trabalho e por vezes acontece por sorte, mas não podemos só prestar atenção ao que está na frente da fotografia, temos que pensar igualmente nos elementos que estão no fundo, ao longe e fora de foco, são tudo decisões que podem valorizar o sujeito principal e tornar a imagem mais interessante.


Outra coisa que geralmente as pessoas não tomam grande atenção, mas que são essenciais, é o chegar mais perto e ter calma/paciência para analisar o que estamos a fotografar. A proximidade é tal como o nome diz, estarmos próximos do nosso sujeito, da sua vida e da ação. A calma requer tempo para analisar e ponderar todas estas considerações que tenho estado a dizer, para chegar a uma fotografia melhor. A paciência faz-nos melhorar o nosso poder de observação e recompensa-nos com mais informação para trabalhar. Ao falar de equipamento essencial, o uso do tripé é daqueles objetos que vai melhorar consideravelmente o aspeto de algumas categorias de fotografias, principalmente paisagem.


Como fotografar depende essencialmente da luz e vão ter que literalmente que a procurar, saber lidar com ela, seja direta, indireta (à sombra) ou artificial com flashes ou não, saber modelar e controlar a luz é das coisas mais importantes que vão aprender em relação à fotografia, por isso atenção especialmente a ela. Obviamente quando temos muitas regras, é importante segui-las, mas também é importante fazer coisas fora da caixa, quebrar as regras, porque daí é que virá a inovação e a diferença. Conhecer a fotografia é também usar equipamento extra que não só a máquina, como por exemplo as objetivas. Cada uma serve para géneros de fotografia diferentes, grande angulares para incluir uma área grande ou teleobjectivas para um pormenor mais longe..., e geralmente quanto mais caras melhor a qualidade, principalmente as “prime”, a indústria não mete todos os ovos no mesmo saco e cada uma das objetivas tem pontos fortes e pontos fracos, cabe ao fotógrafo conhecer e escolher o melhor possível dentro do seu orçamento. Mas ao conhecer todas estas variantes o fotógrafo deve igualmente saber quando e quanto de equipamento deve levar na sua mala... por um lado variedade e quantidade, mas noutras situações menos é melhor e a limitação pode fazer com que se aguçe os sentidos artísticos.

O descanso da beleza

Uma grande mais valia e uma dica importante é estar atento à metereologia ao longo do ano, porque certas alturas são melhores para fotografar certos locais do que outros, a importância das nuvens é chave nalgumas situações, as marés baixas ou cheias outro elemento fulcral e finalmente conhecer os astros e a rotação da Terra para as fotografias nocturnas. No patamar da edição, saber analisar fotografias nossas antigas e ser-se crítico delas, só assim se aprende com os erros, tal como a pós-produção com software específico em que devemos ser crítcos, descartar o que não interessa e focar-se na perfeição quanto baste, tentar sempre inovar e estar aberto também às criticas de quem vê as nossas fotografias. É importante gostar do resultado final para nós mas ser aberto ao que as outras pessoas ou fotógrafos pensam do nosso trabalho. Por isso é que é importante seguir mais esta dica, ter ideias, conceitos, projetos na nossa mente ou num caderno e convencermo-nos que temos que expandir, estruturar e os concluir. É igualmente gratificante apesar de não parecer, mas devemos procurar por abstratos, coisas feias / menos interessantes em vez de bonitas para estimular a criatividade em situações menos usuais, a experimentação é sempre algo a explorar, às vezes podemos ter surpresas agradáveis. Obviamente com todo este saber e procura por imagens, é importante desenvolver um estilo próprio, que mostre a nossa personalidade, mas isso desenvolve-se com o tempo, à medida que se melhoram as nossas capacidades. Uma coisa que podem também fazer é estudar outros tipos de arte e entertenimento, geralmente esses outros interesses podem servir de inspiração para o estilo das vossas fotografias. Finalmente é preciso fazer um esforço para não percam os momentos decisivos e se divirtam, no fim, isto tudo precisa de fazer sentido nas vossas vidas. Boas fotos!


ESPAÇO ALFA - Artigo de Mauro Rodrigues publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul de julho de 2021

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