A FOTOGRAFIA DE MÃOS DADAS COM A CIÊNCIA

Com a invenção da fotografia a fazer quase 200 anos, desde o longínquo ano de 1826, o Mundo sofreu uma transformação radical de tal forma que um habitante dessa época se tivesse a oportunidade de viajar até 2022 ficaria literalmente com falta de palavras para descrever o futuro que se mostrava aos seus olhos.


Desde veículos avançados como o avião que permite fazer viagens em redor do Mundo, o foguetão para visitar as estrelas ou até mesmo o transporte automóvel iriam parecer coisas incríveis. Por exemplo o computador, o telemóvel e a televisão com os seus mágicos ecrãs que mostram informação e pessoas de todo o lado além de toda a comunicação e interatividade que possibilitam, ou ainda os avanços médicos fantásticos que permitem a visualização do interior do corpo humano com os famosos raios-x sem ter que recorrer a uma faca seriam coisas que quando voltasse atrás no tempo para contar, provavelmente ninguém iria acreditar que iriam existir num futuro próximo, mas a verdade é que a fotografia esteve presente em inúmeros momentos revolucionários da ciência e continuará sempre a estar. Vamos conhecer algumas dessas fotografias que permitiram abrir os olhos da Humanidade para a realidade desconhecida do Universo.

A fotografia do campo profundo extremo do telescópio Hubble (Hubble’s extreme deep field (XDF)) é na realidade um conjunto de fotografias e dados que foram compilados durante 10 anos que resultaram a 25 de setembro de 2012 na fotografia em si que equivale a uma percentagem pequeníssima do céu estelar, ao nível de muitos milhões, em comparação é como se fosse menos de 1mm de uma folha de papel A4 a um metro de distância. Esta fotografia é luz captada num momento no tempo que aconteceu há cerca de 13.2 biliões de anos atrás e mostra aproximadamente 10, 000 galáxias. A idade estimada da origem do Universo é de 13.7 biliões de anos. Esta revelação só confirma a pequenez da nossa existência e do nosso Planeta ao pertencermos a esta imensidão de escuridão eterna de triliões e triliões de galáxias que se estima ter 200, 000 000 000 000 000 000 000 de estrelas.

O teste nuclear nome-de-código Trinity a 26 julho de 1945 pelas 5:29 da manhã é efetivamente a primeira detonação de uma bomba nuclear, que foi uma culminação dos esforços conjuntos de um grupo de cientistas responsáveis pelo Projeto Manhattan. A explosão do engenho de plutónio aconteceu a 56km de Socorro, Novo México, tinha a capacidade de 22 quilotoneladas e tinha a alcunha de “The Gadget”. Apesar de todas as descobertas relacionadas com a natureza dos átomos e da existência de novidades como a fissão nuclear, infelizmente esta tecnologia acabaria por ser usada na Segunda Guerra Mundial em 1945. A fotografia do evento em si foi da responsabilidade de Julian Mack e Berlyn Brixner que usaram cerca de 50 câmaras que fotografaram e filmaram a cerca de 10.000 frames por segundo a 730 metros de distância em bunkers especiais revestidos a chumbo e ferro.

Esta fantástica fotografia de Nikola Tesla no seu laboratório foi tirada em 1899, ao lado do seu transformador ressonante, uma invenção que ficou conhecida como a bobina de Tesla (Tesla coil) foi na realidade uma fotografia tirada pelo fotógrafo Dickenson V.Alley usando o método de dupla exposição, ou seja, foram na realidade tiradas duas fotos, uma com a máquina em funcionamento e outra apenas com o Nikola que depois foram juntas posteriormente em pós-produção. Um equipamento que mantém o título de maior do género construído até hoje e operava a uns gigantes 12 milhões de volts. Nikola Tesla foi um importante cientista que ficou famoso devido às contribuições, descobertas e avanços que fez em diversas ciências, conceitos científicos e equipamentos, incluindo a descoberta de um novo princípio fundamental da física, o campo magnético rotativo, que tornaram viáveis o uso de corrente alternada para transmissão de energia elétrica a longas distâncias. Outras invenções importantes foram o motor de indução elétrica, o controlo remoto, a transmissão via rádio, o sistema de ignição nos carros, a lâmpada fluorescente, transmissão de eletricidade sem fios, radiografia (Raios-X) e o rádio entre muitas outras.

A fotografia 51 como ficou conhecida, tirada por Raymond Gosling em 1952 foi instrumental na identificação da estrutura tridimensional em hélix (dupla hélice) do ADN que eventualmente levou à formulação do seu modelo químico e revolucionou totalmente a nossa visão e conhecimento em relação à biologia molecular. Obviamente esta descoberta é simplesmente mais uma peça do puzzle e foram vários os cientistas responsáveis até chegarem a essa conclusão, incluindo Maurice Wilkins, James Watson, Francis Crick e Rosalind Franklin.

A fotografia de Buzz Aldrin na superfície da Lua, é provavelmente a fotografia que mostra como o ser humano é realmente uma espécie que é capaz de sonhar alto e chegar efetivamente onde se predestina a chegar. Foi tirada a 20 de julho de 1969 por Neil Armstrong, na missão Apollo 11 que levou os primeiros homens à Lua, um feito extraordinário da Humanidade que fez com que a evolução tecnológica a partir daí se desenvolvesse por muitas e variadas áreas, incluindo purificadores de água, tomografia axial computorizada, luzes LED, câmara fotográficas miniaturizadas, ténis Nike Air, aspirador portátil sem fios, colchões com espuma “memória”, o rato do computador, o computador portátil, entre outras inovações.

“Isto é como a Vida começa!” uma série de fantásticas fotografias do sueco Lennart Nilsson publicadas a 30 de abril de 1965 na revista LIFE que mostraram ao mundo pela primeira vez um feto humano em desenvolvimento na barriga da mãe antes de nascer. Uma edição que vendeu 8 milhões de cópias em apenas 4 dias foi das mais populares de sempre. Estas fotografias foram conseguidas através de objetivas tubulares especializadas endoscópicas com lentes macro e grandes angulares em diversos estágios do bebé. Trabalhando em conjunto com o hospital conseguiu fotografar material de crianças abortadas, daí o grande detalhe de composição e iluminação das fotografias, mas as do interior da barriga foram das melhores tiradas até ao momento, mesmo comparado com o que se tira atualmente. Mostrar o invisível, visível, algo que mostra o início da nossa viagem e define a Humanidade foi a intenção do fotógrafo ao captar estas fotografias.

Esta é apenas uma pequena amostra do que a invenção da fotografia permitiu, uma janela para os mistérios da Vida e do Universo que nos espanta constantemente. São imagens poderosas e incríveis que só mostram a complexidade de tudo o que nos rodeia. Só temos que agradecer a todos estes fotógrafos e a todos os cientistas que permitiram explorar os extremos da ciência e do conhecimento, pessoas singulares que apenas fizeram uma pergunta na sua mente. “Então e se eu…”

Nesta fotografia encontram-se 29 dos maiores cientistas que o Mundo já conheceu. Tirada em 1927 no Congresso de Solvay ontem o tema discussão era relacionado com Electrões e Fotões.

Em pé ao fundo — da esquerda para a direita —, os cientistas são Auguste Piccard, Émile Henriot, Paul Ehrenfest, Édouard Herzen, Théophile de Donder, Erwin Schrödinger, Jules-Émile Verschaffelt, Wolfgang Pauli, Werner Heisenberg, Ralph Fowler e Léon Brillouin.

Na fila do meio, temos Peter Debye, Martin Knudsen, William Lawrence Bragg, Hendrik Anthony Kramers, Paul Dirac, Arthur Compton, Louis de Broglie, Max Born e Niels Bohr.

Por último, sentados em primeiro plano, da esquerda para a direita, estão Irving Langmuir, Max Planck, Marie Curie, Hendrik Lorentz, Albert Einstein, Paul Langevin, Charles-Eugène Guye, Charles Thomson Rees Wilson e Owen Richardson.

Por curiosidade e em último lugar podem apreciar o magistral trabalho da colorista Sanna Dullaway que tratou da colorização desta mesma fotografia.

ESPAÇO ALFA - Artigo de Mauro Rodrigues publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul de novembro de 2022



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